Conheça 4 simples receitas de leites vegetais e seus benefícios para a saúde (Parte II)

Tempo de leitura: 15 minutos

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Você já ouviu falar em “leites vegetais“?

Os leites vegetais são uma ótima alternativa para quem tem intolerância à lactose, alergia à proteína do leite de vaca ou simplesmente quer parar de tomar leite de vaca ou qualquer leite de origem animal.

A expressão “leite vegetal”, a princípio, pode soar estranha, mas neste artigo você verá como é simples fazer esses leites em casa e usufruir de todos os seus benefícios. 

Os leites vegetais também servem de base para muitas outras receitas que eu faço. Conheça algumas delas clicando aqui.

Neste artigo, você também saberá:

  • por que eu não tomo leite de soja
  • por que você não deve dar fórmula infantil à base de soja para o seu filho
  • as “vantagens” (#sqn) camufladas dos leites vegetais
  • as reais vantagens dos leites vegetais
  • as minhas 4 receitas campeãs de leites vegetais

Espero que, depois deste artigo, você se anime a fazer alguma das minhas receitas prediletas de leites vegetais. Aqui em casa não pode faltar! 😉

Vamos lá?

"Vantagens" dos leites vegetais (#sqn)

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Se você procurar pela internet, vai encontrar inúmeros artigos dizendo que a principal vantagem dos leites vegetais é não conter lactose nem colesterol.

A meu ver, isto não deveria ser considerado uma vantagem dos leites vegetais.

Em primeiro lugar, porque o colesterol é um tipo de gordura — de origem animal e apenas de origem animal, portanto é óbvio, e não vantajoso, que leites vegetais não contenham esta substância — fundamental para o bom desenvolvimento do sistema nervoso central.

Em segundo lugar, porque todo leite materno contém lactose. A lactose é um tipo de açúcar importante para a constituição do nosso sistema nervoso central. Qualquer filhote mamífero precisa de lactose para o seu desenvolvimento. Além da lactose, os leites maternos possuem lactase, a enzima responsável por “digerir” a lactose.

Nosso organismo até produz lactase por conta própria, mas essa produção vai diminuindo com o passar dos anos e, quando atingimos a idade adulta, não produzimos mais. É por isso que a lactase presente nos leites animais é fundamental para que possamos digerir a lactose.

Ora, o processo chamado “pasteurização”, pelo qual o leite de vaca industrial passa, destrói completamente a lactase presente no leite.

Não é à toa que casos de intolerância à lactose só aumentam e aumentam.

Infelizmente, não existe tanto alarde quanto ao fato de a pasteurização e a ultrapasteurização destruírem completamente as enzimas, proteínas e muitos dos nutrientes presentes no leite de vaca. Nem ao fato de que a indústria consegue transformar um alimento que dura apenas alguns dias na geladeira em um produto alimentício que pode durar até seis meses em uma prateleira de supermercado.

Neste ponto, entram as reais vantagens de se consumir leites vegetais.

Reais vantagens dos leites vegetais

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Uma das reais vantagens de se consumir leites vegetais é “fugir” dos processos industriais de pasteurização e ultrapasteurização do leite de vaca.

Processos estes que destroem o leite de vaca a ponto de ele virar um alimento extremamente pobre em nutrientes e com proteínas alteradas, como eu expliquei melhor neste artigo aqui.

Em contrapartida, existe a opção dos leites vegetais.

É muito fácil fazer leite vegetal em casa. Aqui neste artigo, eu vou te passar as minhas quatro opções prediletas. Todas elas trazem muitos benefícios à saúde. Entre eles, estão:

  • ajudam no bom funcionamento do intestino, pois têm bastante fibras
  • são boas fontes de proteínas vegetais
  • são ricas em vitaminas e minerais de fácil absorção pelo nosso organismo
  • têm ação anti-inflamatória no organismo
  • têm ação antioxidante
  • são fontes de boas gorduras vegetais, que promovem a sensação de saciedade e deixam as camadas gordurosas das nossas células funcionando corretamente

Existem leites vegetais de caixinha disponíveis nos mercado, mas eu não costumo fazer uso deles. E não recomendo o uso.

Digo isto, pois os leites vegetais que faço em casa costumam durar até 1 semana na geladeira, enquanto os leites vegetais disponíveis nos mercados têm um prazo de validade bem maior – às vezes, eles duram até 1 ano!

Eu não sei você, mas eu olho isto com estranheza. E prefiro fazer os meus leites em casa, assim como espero que você faça.

Antes que você me pergunte, o leite de soja não está entre eles. E vou lhe dizer por quê. Mas, antes, gostaria de te convidar a fazer parte do grupo seleto de leitores do Panelas de Gaya. Cadastre seu e-mail abaixo, para receber em primeira mão todos os artigos, vídeos e novidades do blog, com exclusividade!

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Por que não ao leite de soja

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Hoje em dia, a soja virou moda e se tornou uma indústria que cresce muito, arrecada bilhões e é controlada por algumas multinacionais nada simpáticas.

Principalmente a indústria da soja transgênica. O Brasil é o segundo país que mais cultiva soja transgênica no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. A meu ver, só este dado já é suficiente para refletirmos a respeito do consumo de soja.

A soja transgênica modifica profundamente qualquer tipo de ecossistema e causa uma série de danos à nossa saúde – o mais comum são as alergias.

Não é à toa que os casos de alergia à soja não cessam de aumentar hoje em dia. Mas este é um assunto bastante extenso, do qual falarei com mais detalhes em um futuro artigo.

Neste artigo, gostaria de chamar atenção para outro dado.

O grão de soja, mesmo orgânico, não é tão legal de se consumir em grandes quantidades.

A soja é o grão que mais contêm antinutrientes em sua casca. Todos os grãos contêm antinutrientes – agentes que dificultam a absorção dos nutrientes desses mesmos grãos pelo nosso organismo. É muito simples neutralizar esses antinutrientes (presentes sobretudo nas cascas dos grãos), basta deixar os grãos de molho por algumas horas.

No caso da soja, a simples técnica do remolho não funciona — na verdade, nem os agressivos processos industriais conseguem neutralizar os antinutrientes da soja.

É preciso realizar longos processos de fermentação para que os antinutrientes da casca da soja sejam, de fato, neutralizados. Esses processos podem durar meses. Os orientais sabiam muito bem disto, e consumiam soja longamente fermentada, na forma de shoyu, de missô e de natto.

Os antinutrientes da soja são um capítulo à parte, mas, só para você ter ideia, vou citar 3 deles (você pode conhecer outros lendo este artigo aqui do site do Dr. Mercola).

  1. Inibidor da enzima tripsina

A enzima tripsina é produzida pelo pâncreas e é necessária à boa digestão das proteí­nas. Os inibidores da tripsina da soja não são neutralizados pelo remolho ou pelo cozimento industrial. Testes realizados em animais de laboratório resultaram no aumento no tamanho do pâncreas deles e até câncer nessa glândula, quando submetidos a dietas ricas em inibidores da enzima tripsina

  1. Fitoestrogênios

Os fitoestrogênios são componentes presentes em vegetais que se assemelham ao nosso hormônio estrogênio. Os fitoestrogênios podem bloquear a produção do estrogênio no nosso organismo e causar danos em vários tecidos do corpo humano. Mas, especialmente os fitoestrogênios da soja são conhecidos por desregular a função endócrina, provocar infertilidade e outras disfunções sexuais no organismo.

  1. Goitrogênicos

Os goitrogênicos são substâncias que bloqueiam o bom funcionamento dos hormônios da tireoide e interferem na absorção do iodo por esta glândula. O iodo é um mineral absolutamente fundamental para a saúde da tireoide, e sua falta resulta em hipotireoidismo e até bócio.

É por isso que eu não recomendo o consumo do leite de soja nem para adultos e nem para crianças ou bebês – hoje em dia, infelizmente, a soja é componente de várias fórmulas infantis disponíveis no mercado.

Os malefícios do grão da soja não fermentada merecem um artigo inteiro, e eu pretendo produzi-lo em breve. Mas, como o assunto deste artigo é leite vegetal, acho que seria de bom tom expor aqui como se produz o famoso leite de soja. Quem nos explica o procedimento é o médico Alexandre Feldman, clínico-geral e especialista em gestão de hábitos e estilo de vida aliados aos tratamentos menos agressivos possíveis:

Primeiro, deixa-se de molho os grãos em uma solução alcalina, de modo a tentar neutralizar ao máximo (mas não totalmente) os inibidores da tripsina. Depois, essa pasta passa por um aquecimento a mais de 100 graus, sob pressão. Esse processo neutraliza grande parte (mas não a totalidade) dos antinutrientes. Mas em troca, danifica a estrutura das proteí­nas, tornando-as desnaturadas, de difícil digestão. (Wallace GM: Studies on the Processing and Properties of Soymilk. J Sci Fd Agric volume 22, páginas 526-535). Além disso, os fitatos remanescentes são suficientes para impedir a absorção de nutrientes essenciais.

A propósito, aquela tal solução alcalina onde a soja fica de molho é à base de n-hexano, nada mais que um solvente derivado do petróleo, cujos traços ainda podem ser encontrados no produto final, que vai para a sua mesa, e que pode gerar o aparecimento de outras substâncias cancerí­genas. Este n-hexano reduz, também, a concentração de um aminoácido importante, a cistina.

A explicação dele está neste artigo aqui, que por sinal é bem completo e expõe em detalhes os malefícios da soja não fermentada.

Eu não sei você, mas, depois dessas informações a respeito da soja e do leite de soja, prefiro ficar com meus leites vegetais feitos em casa, com muito amor e carinho. Vamos a eles? 🙂

Receita de leite de amêndoas

O leite de amêndoas é bastante saboroso e simples de se fazer, porém, amêndoas são muito caras em terras brasileiras. É por isso que eu faço raramente este leite, mas vou passar a receita, caso você se anime. 😉

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Ingredientes

  • 1 copo de amêndoas cruas
  • 4 copos de água filtrada (se você gostar do leite mais consistente, coloque 3 copos de água)
  • 1 colher de chá de essência de baunilha (opcional)

Modo de preparo

  • Lave as amêndoas
  • Deixe as amêndoas de molho na água durante a noite
  • Pela manhã, bata tudo no liquidificador (junto com a essência de baunilha, se você for usar), por 1 minuto – OBS: use para bater no liquidificador a mesma água em que as amêndoas ficaram de molho
  • Coe com um pano fino

Sugestão: Reserve o bagaço para outras receitas

Rendimento: 1 litro

Validade: Dura de 3 dias a 1 semana na geladeira, mas você pode congelar por até 3 meses

Receita de leite de coco

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O leite de coco é, de longe, o mais saboroso e versátil. Você pode tomar com café, usar em receitas com peixes e frutos do mar, usar em doces, em purês – eu já usei no purê de batata, no lugar do leite de vaca, e ficou uma delícia! O chocolate quente com leite de coco também fica divino…

Gosto tanto que até fiz um vídeo para te mostrar como é fácil esta receita. Veja aqui.

E o melhor de tudo é que o coco é um alimento bem brasileiro, fácil de achar e barato. O único porém é abrir o coco seco, um procedimento chato na maior parte das vezes. Existem algumas técnicas para tirar a polpa do coco seco, como:

  • usar um saca-rolha para tirar a água do coco (que, por sinal, você pode e deve tomar)
  • queimar o coco no fogo para deixá-lo mais maleável na hora de quebrar. Esta técnica é mostrada neste vídeo
  • quebrar o coco batendo nele com um martelo. Esta técnica é mostrada neste vídeo
  • quebrar o coco enrolando ele em um pano e batendo ele no chão. Esta técnica é mostrada neste vídeo
  • meter o coco no forno alto até ele rachar. Esta técnica é mostrada neste artigo do blog Aqui na cozinha

Ou você pode comprar a polpa do coco em pedaços já pronta em bandejas no mercado. Com a polpa em mãos, é bem fácil fazer o leite:

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Ingredientes

  • Polpa de 1 coco
  • 4 copos de água (ou 3 copos, se você quiser um leite mais consistente)

Modo de preparo

  • Deixe os pedaços de coco de molho na água por pelo menos 2 horas
  • Amorne a água e bata no liquidificador, por 1 minuto OBS: use para bater no liquidificador a mesma água em que o coco ficou de molho
  • Coe com um pano fino

Sugestão: Reserve o bagaço, que é basicamente coco ralado, para outras receitas

Rendimento: 1 litro

Validade: Dura de 3 dias a 1 semana na geladeira, mas você pode congelar por até 3 meses

Receita de leite de aveia

O leite de aveia também é bem saboroso e tem a vantagem de ser muito fácil de se fazer. Assim como o coco, a aveia pode ser encontrada em qualquer mercado e custa barato.

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Ingredientes

  • 1 xícara de aveia
  • 2 xícaras de água filtrada
  • 1 colher de chá de essência de baunilha (opcional)

Modo de preparo

  • Deixe a aveia de molho na água por 1 hora
  • Bata tudo no liquidificador (inclusive a essência de baunilha, se quiser incluir na receita) – OBS: use para bater no liquidificador a mesma água em que a aveia ficou de molho
  • Coe com um pano fino

Sugestão: Use o bagaço para fazer um mingau de aveia

Rendimento: 250 ml

Validade: Dura de 3 dias a 1 semana na geladeira, mas você pode congelar por até 3 meses

Receita de leite de arroz

O leite de arroz é o mais doce de todos. É também muito fácil de se fazer e não custa caro. Na minha receita, eu uso sempre arroz integral (porque ele tem mais nutrientes), mas você pode usar qualquer tipo de arroz para fazer o seu leite.

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Ingredientes

  • 1 xícara de arroz integral
  • 4 copos de água filtrada

Modo de preparo

  • Deixe o arroz de molho na água por pelo menos 1 hora
  • Coloque o arroz e a mesma água do molho em uma panela
  • Deixe em fogo médio por 15 minutos
  • Coe o arroz na peneira
  • Coloque o arroz cozido no liquidificador
  • Adicione ao liquidificador os 4 copos de água (se você quiser, pode reutilizar a água do cozimento, e completar o restante com água filtrada)
  • Bata tudo e coe com uma peneira fina

Sugestão: Use o bagaço para fazer um mingau de arroz

Rendimento: 1 litro

Validade: Dura de 3 dias a 1 semana na geladeira, mas você pode congelar por até 3 meses

Recapitulando...

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Os leites vegetais, além de saborosos, são uma ótima alternativa àqueles que querem substituir ou tirar o leite de vaca da dieta, por vários motivos, como intolerância à lactose, alergia à proteína do leite de vaca, ou por simplesmente quererem “fugir” dos processos industriais de pasteurização ou ultrapasteurização.

Pessoalmente, eu consumo leite de vaca (cru, na maior parte da vezes, e mais raramente o pasteurizado) e também leites vegetais.

Os leites vegetais são, sem dúvida, mais leves que o leite de vaca, e a absorção de seus nutrientes pelo nosso organismo é mais fácil — com a exceção do leite de soja.

Existem mil e uma receitas que você pode fazer com leites vegetais (e seus bagaços).

O ebook Guia da Receita Saudável, produzido pela fitness coach e fundadora do blog Guia da Boa Forma, Carla Basílio, te oferece várias delas, como:

  • quiche de frango
  • torta de alho poró
  • pão de abóbora
  • pão de quinoa
  • bolo de cenoura
  • bolo de banana
  • flan de coco
  • brownie
  • brigadeiro
  • mingau de coco e aveia
  • mingau de chocolate

Todas essas receitas levam leites vegetais, são super saborosas e saudáveis.

Clique aqui para saber mais.

E deixe seu comentário aqui abaixo do artigo. Adoro conhecer as dúvidas, sugestões e receitas das minhas leitoras!

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Guia da Receita Saudável
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