A Surpreendente Verdade que Nunca Contaram a Você sobre Colesterol e Gordura Saturada

Tempo de leitura: 14 minutos

Gordura saturada faz mal, engorda e entope as veias.

Esta é, talvez, a (falsa) afirmação que mais causou danos à Saúde do ser humano nas últimas seis décadas. Sim, as gorduras saturadas foram demonizadas apenas nas últimas seis décadas. Antes disso, elas compunham a maior parte da alimentação do homem.

Agora, eu te pergunto:

Fazendo uma comparação entre os séculos passados e os últimos 60 anos, você acha que a incidência de obesidade, câncer e diabetes do tipo 2 nas pessoas aumentou ou diminuiu?

Os dados estatísticos já têm a resposta: houve um aumento.

Mas, para além dos dados, basta olhar à sua volta.

Quantas pessoas estão acima do peso? Quantas tiveram ou têm câncer? Quantas têm problemas como hipertensão ou diabetes?

Pior: Será que você mesmo não é uma dessas pessoas?

Não é apenas uma coincidência que essas doenças tenham aumentado na mesma proporção em que o consumo de gorduras saturadas diminuiu. Esses são fatos correlacionados.

Portanto, prepare-se.

Este artigo tem o objetivo de derrubar um dos principais mitos da Nutrição e de escancarar os interesses por trás da mentira que tem devastado a Saúde do homem nas últimas décadas.

O Início do Grande Estrago

O estudo científico responsável por demonizar as gorduras saturadas foi conduzido na década de 1950 por um fisiologista norte-americano chamado Ancel Keys.

Este estudo ficou conhecido sob o nome de “Seven Countries Study”, e, nele, Keys analisou dados de sete países e montou um gráfico perfeito que relacionava o consumo de gorduras saturadas ao aumento de doenças cardiovasculares.

Esta associação ficou conhecida como hipótese lipídica.

Acontece que o estudo de Ancel Keys apresentava algumas falhas. A principal delas era que, ao iniciar a pesquisa, Keys analisou 22 países.

Ao publicar suas conclusões, ele deliberadamente ignorou vários países — inclusive países onde o consumo de gordura saturada era alto e a incidência de doenças cardíacas era baixo.

O gráfico original, incluindo os 22 países, era muito mais complexo e não tão conclusivo quanto o gráfico apresentado por Keys — levando em consideração apenas sete países.

O estudo de Keys é, definitivamente, fruto de mau uso da ciência e não obteve consenso no meio científico até o ano de 1977.

Neste ano, o governo dos Estados Unidos, por meio de um comitê no Congresso, publicou um relatório que dava uma guinada nas diretrizes alimentares da população.

Este comitê publicou um guia alimentar oficial que, pela primeira vez, recomendava aos americanos restringir o consumo de gorduras saturadas e de colesterol para 1 ovo por dia e aumentar o consumo de grãos integrais, como o trigo.

Liderado pelo senador democrata George McGovern, este guia ficou conhecido sob o nome McGovern Report. À época, o Relatório McGovern causou surpresa no meio científico.

Os cientistas — e até alguns políticos do comitê — afirmavam que não havia consenso de que gordura saturada estivesse relacionada a doenças cardíacas.

A resposta de McGovern foi: “Os políticos não têm o ‘luxo’ que os cientistas têm de poderem esperar até o último fio de evidência ser estudado para tomarem uma decisão”.

É por conta deste e de outros episódios relacionados que a jornalista Nina Teicholz, autora do livro The Big Fat Surprise — que destrincha toda essa história –, não exagera ao afirmar que a recomendação de diminuir o consumo de gorduras saturadas e de aumentar a ingestão de grãos integrais, sobretudo o trigo, é resultado de “ambições pessoais, má ciência, política e interesses tendenciosos”.

Estudos recentes sugerem o contrário

Vários estudos foram realizados nos últimos anos no intuito de reexaminar a hipótese lipídica. Os resultados sempre foram bastante surpreendentes, até para os cientistas.

Via de regra, eles sempre chegam à conclusão de que não há evidências científicas que associam o consumo de gorduras saturadas a doenças cardiovasculares.

Alguns estudos até concluíram o contrário: consumir gorduras saturadas diminui o risco de doenças cardíacas!

Só para citar alguns exemplos (há muitos outros):

>> Em 2014, uma meta-análise publicada no Annals of Internal Medicine, usando dados de 80 estudos e mais de meio milhão de pessoas, concluiu que aqueles que consomem mais gorduras saturadas não têm mais doenças cardíacas do que aqueles que consomem menos gorduras saturadas. Este estudo tampouco encontrou menos casos de doenças cardíacas naqueles que consumiam menos gorduras saturadas.

>> Um ano antes, em 2013, um renomado cardiologista britânico chamado Aseem Malhotra publicou um artigo no British Medical Journal afirmando que a recomendação de limitar o consumo de gordura saturada deve ser ignorada, pois limitar o consumo desse tipo de gordura, na verdade, aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

>> Finalmente, um estudo conduzido em 2012 por pesquisadores da Norwegian University of Science and Technology, incluindo 52 mil adultos com idades de 20 a 74 anos, concluiu que mulheres com “colesterol alto” (mais do que 270 mg/dl) tinham 28% menos risco de morte do que mulheres que apresentavam “baixo colesterol” (menos do que 183 mg/dl). Este estudo também concluiu que, se você é mulher, seu risco de doenças cardíacas e infarto é maior se os seus níveis de colesterol estão baixos.

Sim, são conclusões surpreendentes e que afrontam o senso comum de que gordura saturada faz mal, engorda, entope as veias e de que o colesterol sempre deve estar baixo.

Mas é mais surpreendente ainda o fato de que um estudo cheio de falhas realizado há 60 anos ainda exerça tanta influência.

Uma das respostas pode estar nos lucros absurdos da indústria alimentícia — baseada nas monoculturas de trigo, milho e soja transgênicos — e nos lucros da sua melhor amiga, a indústria farmacêutica.

Apesar da força política e econômica dessas indústrias, os novos estudos científicos reconduzindo a gordura saturada ao lugar que ela sempre ocupou na história da humanidade estão, aos poucos, vindo à tona, e espera-se que eles surtam efeito no senso comum nas próximas décadas.

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Benefícios da gordura saturada

A gordura saturada é um tipo de gordura estável. Ela não modifica sua estrutura, nem cor, nem cheiro, a altas ou baixas temperaturas.

Em geral, são gorduras sólidas em temperaturas frias, e líquidas em temperaturas quentes. Mas a estrutura molecular permanece a mesma, independente do estado sólido ou líquido.

Gorduras saturadas compõem alimentos como: gema de ovos, manteiga, ghee, óleo de coco, cacau, carnes e todos os tipos de leites de mamíferos — inclusive o leite materno, que tem 54% de gorduras saturadas em sua composição.

Todos esses alimentos compuseram grande parte da dieta de nossos antepassados e são alimentos deliciosos e — agora você já sabe — muito saudáveis para consumo humano.

Entre os benefícios comprovados das gorduras saturadas, estão:

  • Auxiliam na produção das membranas celulares e na síntese de hormônios
  • Auxiliam na absorção de minerais, como o cálcio
  • Convertem caroteno (um poderoso antioxidante) em vitamina A
  • Dão combustível para o cérebro (melhoram todas as funções cognitivas)
  • Produzem saciedade
  • Aumentam o HDL, o “bom” colesterol
  • Carregam vitaminas lipossolúveis (solúveis em gorduras) como vitaminas A, D, E e K
  • Previnem câncer
  • Regulam o sistema imunológico
  • São uma excelente fonte de energia para o corpo

Então, você está disposto a perder o medo de gordura saturada? 🙂

Infelizmente, por conta das diretrizes alimentares da década de 1980, o pior tipo de gordura passou a ter uso quase irrestrito, e é a gordura mais consumida até hoje.

São as chamadas gorduras poli-insaturadas, presentes nos óleos e cremes e vegetais mais vendidos no mundo: margarina — veja aqui o artigo do blog sobre o assunto — e óleo de milho, soja, canola, girassol.

As gorduras poli-insaturadas são gorduras instáveis, pois modificam sua estrutura, cor e cheiro a altas temperaturas — se você já cozinhou com esses óleos, sabe do que estou falando. Quando essa mudança na estrutura (e também no gosto, na cor e no cheiro) acontece, dizemos que a gordura ficou rançosa.

A maior parte dos óleos vegetais que se encontram nas prateleiras dos supermercados já estão rançosos (só que ainda não tiveram sua cor transformada). Cozinhar com estes óleos é extremamente prejudicial à sua Saúde.

O azeite de oliva não se encaixa nessa categoria, pois ele é uma gordura monosaturada, e não poli-insaturada. Gorduras monosaturadas — presentes, por exemplo, no abacate, nas castanhas e no açaí — também são saudáveis.

E o colesterol?

Gordura saturada faz mal

O colesterol é um tipo de gordura animal.

Gorduras vegetais — como óleo de coco, manteiga de cacau, azeite de oliva e qualquer outro tipo de óleo vegetal — não têm e nunca terão colesterol.

Ele é encontrado em carnes, ovos, manteiga, leites e queijos, e foi na onda de “demonização” das gorduras saturadas, justamente porque ele está presente na maioria dessas gorduras.

Apesar disso, o colesterol é essencial para:

  • o bom funcionamento do cérebro (25% do colesterol do seu corpo está no cérebro)
  • a construção de membranas celulares
  • a produção de vários hormônios sexuais
  • a produção dos sais biliares
  • a síntese de vitamina D

Não à toa, nosso corpo produz colesterol.

Contudo, o colesterol é elemento central de outro mito muito difundido no senso comum: o de que você deve diminuir o consumo de colesterol para diminuir os níveis de colesterol no seu sangue, a fim de evitar doenças cardíacas.

Pesquisas recentes já derrubaram esse mito.

Esses estudos também fizeram descobertas surpreendentes em relação ao colesterol.

Estima-se que 80% do colesterol presente na nossa corrente sanguínea foi produzido pelo nosso próprio organismo — quem produz colesterol é o fígado, e é a genética do fígado que vai determinar os níveis totais de colesterol no sangue.

Apenas 20% do colesterol do nosso sangue vem da nossa alimentação, e esses 20% têm pouca ou nenhuma influência sobre o nosso colesterol total.

Além disso, considerar apenas o “colesterol total” no nosso sangue não diz nada a respeito do risco de doenças cardíacas.

Como você já deve saber, existe o “bom” colesterol — chamado de HDL — e o “mau” colesterol — chamado de LDL.

Ora, estudos recentes também descobriram que existem vários tipos de partículas de LDL, e que muitas delas são benéficas para o nosso organismo!

É preciso, portanto, levar outros fatores em consideração para analisar o risco de doenças cardíacas relacionadas ao colesterol.

Pouco se fala, por exemplo, na Lipoproteína A, uma substância feita de uma parte de LDL e uma proteína. Níveis elevados de Lipoproteína A é um forte fator de risco para doenças cardíacas. No entanto, poucos médicos pedem este exame para seus pacientes.

Dieta Low Carb High Fat  (LCHF)

Apesar da insistente recomendação de evitar gorduras saturadas, com o argumento de que elas engordam e aumentam o risco de doenças cardíacas, os casos de infarto e de obesidade não param de crescer no mundo inteiro.

Chegamos a esse ponto, porque, a partir da década de 1980, a pirâmide alimentar sofreu uma grande inversão. E quais alimentos passaram a ser a base da pirâmide?

Trigo e açúcar.

Trigo e açúcar estão entre os piores alimentos que você pode consumir no seu dia a dia.

Eu já escrevi aqui no blog sobre os malefícios do açúcar — também fiz um vídeo a respeito — e dos adoçantes artificiais. Um artigo completo sobre o trigo chegará em breve aqui no blog.

As pesquisas apontam que o trigo e o açúcar são os principais responsáveis pelas epidemias de obesidade, câncer, hipertensão e doenças cardíacas, diabetes do tipo 2, inflamações generalizadas, intolerâncias alimentares e muitos outros males comuns da nossa época.

Para além das pesquisas, a minha experiência pessoal — e de outras pessoas que conheço — diz que trocar o combustível do seu corpo pode trazer inúmeros benefícios à sua Saúde.

Quando eu digo “trocar combustível”, não significa trocar farinha refinada por farinha integral. Significa trocar farinha branca e integral por gorduras boas.

Faça das gorduras boas o verdadeiro combustível para o seu corpo.

Construa um novo estilo de vida, comumente conhecido sob o nome de Low Carb High Fat — uma dieta com baixo teor de carboidratos e alto teor de gorduras boas.

Eu, que passei meses sem conseguir emagrecer depois da minha gravidez, estou em um peso abaixo do que eu tinha antes de engravidar depois que adotei o estilo de vida LCHF.

Me sinto muito mais disposta durante o dia, meu sono é maravilhoso durante a noite e sinto todo o meu corpo regulado.

Conheço pessoas que também emagreceram e que se livraram dos mais variados sintomas e processos inflamatórios depois de adotar este estilo de vida.

Caso você queira emagrecer com Low Carb High Fat, leia este artigo do blog. 

Para finalizar…

Ovos e bacon e a gordura saturada

A Suécia se tornou o primeiro país a recomendar oficialmente uma dieta rica em gorduras e pobre em carboidratos para a sua população.

Esta medida foi tomada depois que o conselho governamental para a Saúde e Tecnologia (SBU, na sigla nórdica) revisou 16 mil estudos publicados em 2013 e concluiu que uma dieta com alto teor de gordura e baixo teor de carboidrato leva a uma maior perda de peso e melhora geral na saúde.

De acordo com o professor sueco Fredrik Nystrom, um dos membros do conselho, a decisão tomada pelo governo foi uma vitória.

Nystrom é adepto de longa data do LCHF, e ficou feliz de ver que o ceticismo de alguns de seus colegas em relação a esta dieta desapareceu em luz aos estudos científicos conduzidos.

Segundo o comitê, estes estudos se mostraram muito coerentes e não deixaram nenhuma sombra de dúvidas de que gorduras saturadas são benéficas à Saúde.

Cerca de 14% dos suecos são obesos — contra 38% dos americanos. Veja bem: estamos falando de pessoas obesas, não de pessoas com sobrepeso.

Aqui no Brasil, sabemos que a obesidade vem crescendo cada vez mais.

Segundo a Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), alguns levantamentos apontam que mais de 50% da população está acima do peso, ou seja, na faixa de sobrepeso e obesidade.

Não seja uma dessas pessoas.

Revise seus conceitos, e sobretudo: faça testes com você mesmo e seu corpo.

Note as diferenças, e depois me conte nos comentários.

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Gordura Saturada
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  • Fabiana Nanô

    Oi, Ka, obrigada por compartilhar aqui a sua experiência (e de seus alunos).
    Eu também colhi muitos benefícios ao aumentar o consumo de gorduras naturais e diminuir o trigo…
    Acho importante compartilhar ao máximo essa informação, né?
    Beijos,
    Fabi

  • Fabi, parabéns pelo artigo!
    Esse assunto é muito importante… eu tenho, ao longo desse último ano, estudado e testado essa forma de alimentação… Perder o medo das gorduras naturais é um processo lento, visto que já crescemos ouvido que gordura faz mal.
    Porém, tenho aplicado isso ao meu dia a dia, e tenho divulgado e orientado meus alunos sobre a importância de reduzir ao máximo o trigo e seus derivados da dieta.
    O feedback é sempre positivo 🙂
    Obrigada pelas ricas referências.
    Beijos